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Em 1968. Vinicius (à esquerda) e Amália Rodrigues, em serão histórico
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CD de Memórias
Memórias de serões longos na Rua de S. Bento
Texto Publicado no Diário de Notícias - 25 de Julho de 2001
Texto: Nuno Galopim

Um disco reeditado este ano recorda uma noite na casa de Amália Rodrigues. Vinicius de Moraes era o convidado especial.

Quem por lá passou recorda como inesquecíveis os serões no número 193 da Rua de São Bento. Reportagens, entrevistas e as palavras dos textos biográficos de Vítor Pavão dos Santos são pontuais janelas para um mundo de acontecimentos que Amália catalizava no seu espaço. Um disco recentemente reeditado permite-nos, agora, evocar (com som) a memória dessas noites tantas vezes citadas.

Tal e qual recorda o texto de Jorge Mourinha (no inlay do CD), nesses serões Amália recebia os poetas de quem gostava e aqueles com quem costumava trabalhar, definindo nesses encontros uma relação sólida entre o fado e a poesia, pilar fundamental da obra da fadista.

Amália/Vinicius, disco reeditado há algumas semanas pela EMI-VC, devolve-nos a noite de 19 de Dezembro de 1968. Vinicius de Moraes, o poeta da bossa nova, estava em Lisboa, de partida para Itália onde iria passar o Natal. Uma festa de despedida foi preparada em casa de Amália. Os microfones, felizmente, estiveram lá.

Amália, naturalmente, cantou, e a ela juntaram-se as vozes de Vinicius de Moraes, de Natália Correia, José Carlos Ary dos Santos e David Mourão Ferreira. Hugo Ribeiro, o engenheiro de som da Velentim de Carvalho estava na sala e registou os grandes momentos de um serão que acabou depois editado no formato de álbum duplo (formato não muito frequente nesses dias).

A longa e saborosa tertúlia luso-brasileira vivida nesse serão recorda-se hoje num CD onde as vozes acima citadas partilham momentos de um registo com sabor a documento histórico. É sabido que Amália regravou depois, em estúdio, alguns dos seus fados, por exigências técnicas... Ninguém nota. A montagem precisa de Hugo Ribeiro salva a ilusão. Voltar ao Topo 

 

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