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Memórias
Para nunca esquecermos Amália
Texto Publicado no Diário de Notícias - 06 de Outubro de
2001
Texto: Nuno
GalopimDos velhos 78 rotações por
minuto ao CD, a extensa e versátil obra discográfica de Amália Rodrigues é
naturalmente reconhecida como uma das mais importantes e marcantes da história da música
portuguesa. Grande parte dessa discografia foi registada pela EMI, que desde há dois anos
trabalha afincadamente o projecto de uma edição "integral" que, aos poucos, se
materializará. Em CD, pois está claro.
Neste momento, segundo o próprio explicou ao DN, Jorge Mourinha está a terminar a
inventariação exaustiva das gravações dos anos 60, tendo já concluída semelhante
tarefa para as de 50, onde as lacunas de informação eram substancialmente maiores. De
"absolutamente novo e surpreendente não surgiu nada", disse ainda, sublinhando
que depois de escutadas as gravações inventariadas apontou a existência de frequentes
takes alternativos nunca editados sequer em vinil, constatando sobretudo a "enorme
qualidade" das muitas gravações já estudadas.
Sem avançar datas concretas para a edição da "integral", David Ferreira
(presidente da EMI-VC) avançou ao DN que com o rastreio da década de 50 concluído, o
primeiro passo a dar será, antes de mais, a reedição, em Março de 2002, de Abbey Road
(onde Amália fez as primeiras gravações, em 1952). Levanta-se depois a hipótese da
edição de uma caixa que inclua as gravações de estúdio dos anos 50, exceptuando,
portanto, Amália no Café Luso e Ao Vivo no Olympia. David Ferreira adianta ainda que
"o levantamento feito recomenda a edição de três novos CD que reunirão material
disperso por outros CDs ou nunca antes editado neste formato". Nestes novos discos
cada CD deverá corresponder a uma época e a um local. "Vamos seguir a Amália com
grande precisão", garante o responsável pela editora, que adianta que nestes
títulos serão organizados em álbum materiais que originalmente existiram em discos de
78 rotações e em EPs.
Antes de avançar por uma edição "integral", a EMI-VC tem um plano de
lançamentos para a recta final de 2001 e primeiros meses de 2002.
Assim, até ao fim do ano, será editado, entre outros, O Melhor de Amália 3, disco que
David Ferreira avisa destinar-se essencialmente a quem tem as outras duas compilações e
"quer continuar a conhecer Amália, sem comprar discos repetidos", isto é, uma
edição destinada a um público menos especializado. Além desta compilação será
reeditado O Melhor de Amália (o primeiro volume), mas com novas notas no booklet. Existe
a ideia de lançar estas três compilações em conjunto, numa caixa.
A agenda de 2001 prevê ainda a distribuição entre nós de uma caixa de quatro CD
editada em França e que celebra a relação da fadista com esse país. A caixa é
constituída por um CD duplo com as canções de Alain Oulman, um outro com gravações em
francês e mais um com o espectáculo no Olympia.
O ano de 2002 abre com o lançamento conjunto de dois discos: Busto e For Your Delight,
gravados nas mesmas sessões, representando também as primeiras colaborações com Alain
Oulman. Os discos sairão inicialmente em conjunto, o primeiro deles conhecido pela sua
importância histórica, o segundo ainda inédito em CD. Ambos surgirão com temas extra
(versões alternativas de alguns temas), tendo esta semana sido levantada a possibilidade
de incluir gravações de ensaios de Amália com Oulman como temas extra.
As edições chegam no momento em que se celebram os 40 anos do lançamento de Busto. Em
jeito de homenagem a Câmara de Lisboa apresentará, então, uma exposição, na Casa do
Fado, sobre o encontro entre Amália e o músico francês, integrada na programação do
Festival dos Portos. |