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Os destaques da
Discografia de Amália Rodrigues
Por Nuno Pacheco do Jornal Público

A primeira obra data de 1962 e é um marco histórico: trata-se de "Amália Rodrigues" (conhecido por "busto", visto ostentar na capa um busto de Amália esculpido por Joaquim Valente e fotografado por Nuno Calvet) e está para Amália como "In The Wee Small Hours" para Sinatra ou "Revolver" para os Beatles, como escreveu Luís Maio oportunamente no PÚBLICO. Todas as músicas brotaram do génio de Alain Oulman e na voz de Amália ouvem-se os magistrais "Asas fechadas", "Abandono" (que viria a ser conhecido como o "Fado de Peniche"), "Estranha forma de vida" (com letra da própria Amália") ou "Povo que lavas no rio".

Depois veio "Com Que Voz", em 1970, para muitos a sua melhor obra. Ainda com Oulman ao leme, Amália canta Cecília Meireles, O'Neill, David Mourão-Ferreira, Manuel Alegre, Camões, Ary dos Santos, Pedro Homem de Mello. A voz, no auge, e a música compõem um todo inesquecível.

Data também de 1970 um registo extraordinário, "A Voz e o Texto", feito em casa de Amália, com a presença (e participação) de Vinicius de Moraes, Ary dos Santos, Natália Correia e David Mourão-Ferreira.

Em 1973, surge "Encontro", gravado de parceria com o saxofonista de jazz Don Byas. Fados como "Solidão", "Cansaço", "Mouraria" ou "Coimbra" ganham com a estranha simbiose de um encontro breve e irrepetível.

Em 1976, outro disco para a história: "No Café Luso", registo de uma noite memorável naquele que foi um dos palcos preferidos da cantora.

1980 traz-nos "Gostava de Ser Quem Era", o primeiro disco preenchido integralmente com letras da própria Amália, como "Lavava no rio, lavava" ou "Teus olhos são duas fontes". Uma experiência que ela repete em 1983, com "Lágrima", um dos seus trabalhos mais sentidos.

Entre estes discos com poemas seus, Amália volta a gravar onze fados de um autor que lhe foi muito querido: Frederico Valério. O disco chamou-se apenas "Fado" e traz, entre outros, o "Fado do Ciúme", o "Fado Malhoa", "Confesso", "Boa Nova", "Maria da Cruz" e "Amália".

Em 1984, fruto de um empenho pessoal de Miguel Esteves Cardoso, são recuperadas as gravações feitas com o maestro Norrie Paramour. "Na Broadway" é, ao mesmo tempo, uma surpresa e um encanto. Gershwin, Kern e Rodgers & Hart ganham na sua voz tons nunca antes pressentidos.

Veio, depois, o tempo das colectâneas: dois CDs duplos com o título "O Melhor de Amália" (I e II) fazem as primeiras honras. Aconselháveis, tal como a luxuosa caixa de 8 CDs que se seguiu: "Amália, 50 anos", organizada por géneros (fado, marchas, folclore, cinema, ao vivo, etc).

Por fim, em 1997, a Valentim de Carvalho edita sob o título "Segredo" 12 gravações inéditas feitas por Amália entre 1965 e 1975. Mais uma boa surpresa, para os que pensavam que dela já tudo se ouvira. Voltar ao Topo

 

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