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Iniciativas para 2001
Reedição da discografia
de Amália em 2001
Texto Publicado no Lusomundo.net Quarta-feira, 22
de Novembro de 2000
Numa iniciativa da EMI-Valentim de Carvalho, os grandes êxitos da «diva do fado»,
Amália Rodrigues, vão der reeditados integralmente. O projecto têm como objectivo dar a
conhecer melhor as diferentes facetas da fadista.
A fadista Amália Rodrigues teve uma «fulgurante carreira internacional» sobre a qual os
portugueses não têm «a real percepção» e que poderá ser melhor entendida com a
reedição integral da sua discografia.
A ideia é defendida por Jorge Mourinha, que coordena o projecto de reedição integral da
discografia da fadista. Esta é uma iniciativa da editora EMI-Valentim de Carvalho e que
deverá estar disponível a partir do início de 2001.
Em declarações à Lusa, Jorge Mourinha salienta a «impressionante carreira
internacional que Amália fez» e da qual o país não tem «a real percepção», nem das
«inúmeras portas que abriu e como levou tão longe a língua» portuguesa.
A primeira vez que Amália actuou no estrangeiro foi em Madrid, em 1943, a convite do
embaixador de Portugal, Pedro Teotónio Pereira. David Ferreira, da editora, refere que
«o sucesso da fadista no estrangeiro foi praticamente imediato, logo aos 23 anos, em
Madrid». O editor lembra mesmo as críticas dos «puristas» à fadista, acusando-a de
«espanholar os fados».
A própria fadista referenciou estas críticas, feitas essencialmente aos fados de
Frederico Valério, que começa a cantar logo no início da sua carreira no teatro de
revista, em 1940. Mas os «palcos do mundo» abriram-se definitivamente para artista em
meados da década de cinquenta, quando actua pela primeira vez em Paris.
«Os franceses adoptaram-na de imediato. Ela recebeu as mais altas distinções gaulesas e
sempre foram um público fiel». Mas não foram só os franceses. Jorge Mourinha considera
que cada país «viu uma Amália à sua maneira». A Itália vê uma «Amália popular»
enquanto a França balança entre a «Amália trágica« e a «Amália souvenir ». Na
Alemanha «quase não se dá por ela, apenas editou o disco 'Vou dar de beber à dor'»,
mas Jorge Mourinha recorda o grande número de admiradores que conquistou no Japão e o
desejo americano de a levar para Hollywood. «O sucesso de Amália em Itália é algo
extraordinário, cantou em quase todos os teatros, e curiosamente quem fazia as primeiras
partes dos concertos era a Maria Bethânia», lembra David Ferreira.
Essa uma das razões que levam a EMI a procurar que haja uma reedição de Amália em CD
neste país. Para David Ferreira, apesar da vontade da EMI portuguesa, «é preferível
que sejam os próprios países onde Amália gravou e actuou a terem a iniciativa de a
reeditarem em CD», como aconteceu com o «Amália en español».
Projectos para 2001
Para o início de 2001, está prevista a edição em CD do disco
«Vinicius em casa de Amália». O disco foi editado em 1970, e além das participações
da fadista e do poeta brasileiro conta ainda com David Mourão-Ferreira, Natália Correia
e José Carlos Ary dos Santos.
Para o próximo ano está ainda prevista a edição de «Amália na Broadway», que
reflecte o trabalho da artista com o maestro Norrie Paramor. Tudo o que Amália gravou
para o estrangeiro foi disponibilizado no mercado português, explica Jorge Mourinha.
É todo esse percurso que vai agora aparecer no trabalho da editora, a braços com
dúvidas sobre a edição, ou não, de alguns inéditos. «Há que ponderar se em algum
caso estaremos ou não a atraiçoar a memória da artista», afirma Jorge Mourinha. E
recorda: «Amália gravava quase sempre à noite quando lhe apetecia e eram sessões
intermináveis. De todo este trabalho eram aproveitados alguns fados e outros surgiam em
diferentes EP ou LP».
«Ao reeditarmos temos de, primeiro que tudo, respeitar os álbuns tal qual eles foram
editados», explica. Num ponto não há discórdia entre David Ferreira e Jorge Mourinha:
«Amália foi uma das personalidades mais marcantes do século XX». (Lusomundo.net) |