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O espectáculo de Amália que agora chega em disco foi gravado em 1960, no Teatro Bobino de Paris

Reedição
Editado CD Inédito de Amália
Texto Publicado no Correio da Manhã - 16 de Julho de 2001

O espectáculo que Amália Rodrigues deu no Teatro Bobino de Paris, em 1960, surge integralmente em disco, pela primeira vez em Portugal, esta semana [16 de Julho de 2001]. Trata-se de um álbum importante pois marca uma fase de transição na carreira da fadista que, nesta altura, alcançara já notoriedade internacional.

"Amália Rodrigues era já uma vedeta", afirma o investigador Vítor Pavão dos Santos, que salienta as "apoteóticas temporadas" de Amália em Nova Iorque, Hollywood, México, Brasil e Espanha.

A edição deste disco em França marca o final da curta passagem de Amália pela etiqueta discográfica francesa Ducretet-Thomson, para dar início a um repertório que se inicia "com o seminal álbum 'Busto', e sob forte influência de Alain Oulman", salienta Jorge Mourinha, coordenador da edição. "Amália no Bobino - 1960" surge no âmbito do projecto de reedição integral da obra de Amália, recuperando não só os sons como revendo os arquivos e procurando novas pistas identificativas das gravações. Um projecto coordenado por Jorge Mourinha e de que já foi publicado "Amália em Espanhol" e "Amália e Vinicius", trazendo "um olhar completamente novo para o catálogo da artista".

Neste CD, de que algumas faixas já surgiram noutras edições, nomeadamente a comemorativa do cinquentenário da carreira artística da fadista, estão temas que Amália não voltou a cantar e que poucos conhecem na sua interpretação. Cite-se "Calaunga" (de Barbosa Capiba) ou temas interpretados por outras fadistas, nomeadamente Hermínia Silva ("Quem o Fado Calunia"), Deolinda Rodrigues ("Fado da Madragoa"), Moniz Trindade ("Fado Gingão") ou "Casa Portuguesa", que surgiu pela primeira vez numa revista de amadores em Lourenço Marques (actual Maputo).

Por outro lado, este espectáculo que "consagrou em definitivo Amália" pois registou um grande sucesso "numa outra zona mais popular de Paris, a 'rive gauche'", faz notar a vertente iberista de Amália em temas como "Lerele" (Monreal Lacosta/Muñoz Acosta) ou "Ole Mi Morena" (Lopez de Vadillo/Rodriguez Eduardo). A editora Ducretet-Thomson "desportugalizou" o repertório de Amália, acentuando uma vertente internacional com a gravação de temas como "Aie Mourir Pour Toi", "Paris S'Eveille la Nuit" ou "C'Est La Rose", entre outros. No Bobino, a fadista é acompanhada por Domingos Camarinha (guitarra portuguesa) e Santos Moreira (viola) e integra no alinhamento das 15 canções "Barco Negro", a composição para a qual David Mourão-Ferreira fez propositadamente um poema e a quem Amália atribuiu sempre o seu êxito em França e no resto do Mundo.

Apenas dez anos depois da gravação no Bobino, Amália voltou a gravar um disco ao vivo, em 1970, em Tóquio dando aliás início a uma outra "apaixonada relação". Este disco traz à luz um período pouco conhecido da carreira da fadista. Como frisa Pavão dos Santos, há ainda "uma Amália por descobrir". Voltar ao Topo 

 

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