Galiza
Os Cempés
Circo MontecurutoVários
são os sinais de que a música Galega se renovou com nomes como Cempés, Chouteira ou
Berroguëto. Estes grupos, ao contrário do que se passa com alguns dos
"consagrados" da música dita "folk" galega, procuraram e encontraram
o seu lugar ao sol, através de abordagens ecléticas, imaginativas e sobretudo que
funcionam tanto em disco como em palco.
Esse é precisamente o caso deste terceiro disco dos Cempés. "Circo
Montecuruto" exalta vitalidade, alegria e diversão, de quem gosta sobretudo de tocar
e diverte-se com isso.
Quem teve oportundiade de ver estes Cempés renovados no Centro Galego de Lisboa, no
passado dia 28 de Novembro de 2000, pôde testemunhar isso mesmo. Um concerto em ambiente
informal, descontraído e muito equilibrado. Sérxo Cés fez muitas vezes de entretainer,
conversando com o público, interrompido por força da música. O público ria-se, os
músicos divertiam-se.
O disco, naturalmente sem as intervenções de Cés, não deixa de fazer pensar o mesmo
ambiente vivido no Concerto. Se alguém está à espera de ambientes calmos e
nostálgicos, o melhor é não ir a este circo: Energia do princípio ao fim do disco, às
vezes sem descanso.
Essencialmente este grupo combina uma gaita, um acordeão, com um saxofone alto, uma
bateria transformada e um baixo eléctrico. Não se pense contudo que os arranjos soam a
"celtas cortos". Nada disso. Ouve-se bem a gaita de Atón Varela e o acordeão
de Oscar Fdez, dois excelentes músicos.
A ajudar a festa o mesmo Cés utliza um saxofone alto, pandeireta, assobio e voz. Pode-se
ainda ouvir aqui e ali sanfona (Oscar Fdez) e clarinete (Atón Varela), como é o caso de
"Con el vino Sano Yo", que para além de contar com a participação de Uxia,
remete-nos um pouco para o som Hedningarna. O resto do disco faz mesmo lembrar um circo.
Se procura boa disposição, aqui encontrará quanto baste!