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Warsaw Village Band


 

 

Lisboa
Warsaw Village Band
A Polónia musical revelada
Lisboa, Fórum Lisboa, dia 23 de Março, 21:30h
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Artigo baseado parcialmente numa entrevista às Crónicas da Terra

Depois de dois anos e mais de 150 concertos em 20 países diferentes, aquela que é por muitos considerada a banda sensação da World Music actual apresenta-se em Lisboa para um espectáculo único no Fórum Lisboa, dia 23 de Março. A não perder!

Ainda hoje muitos se perguntam como é que uma banda constituída por 6 jovens sem outra aspiração que não a de divulgar a música tradicional do seu país conseguiu um sucesso digno de estrelas pop, com concertos diários e uma projecção que salta já o nicho de mercado ao qual estaria, preconceituosamente, confinada à partida.

A explicação não será simples, e provavelmente ainda não foi obtida, mas talvez esteja relacionada com a simplicidade de seis jovens que sem desvirtuarem qualquer tradição, demonstram que a música tradicional de um país não é estanque, que sofre influências, que se notam ou não à primeira vista, mas que se sentem e marcam.

Mesmo os mais informados terão dificuldade em conhecer grupos polacos, dada a escassez no mercado Ocidental de registos deste país. Essa glória já ninguém tirará aos Warsaw Village Band que a par dos Suecos Hedningarna nos anos 90 conseguiram pôr uma música relativamente desconhecida no mapa das mais excitantes da actualidade.

Os Warsaw Village Band baseiam a sua criatividade na tradição musical na Masóvia, cujas origens remontam aos tempos medievais. A Masóvia sempre foi uma das partes mais pobres da Polónia, cuja música retrata todo um sentimento de dureza e isolamento. Os habitantes tinham poucas oportunidades para conhecer o mundo além de Masóvia, o que resultava, inevitavelmente, numa sociedade fechada. "É por isso que temos nesta área uma tradição à base do violino e da percussão porque eram os instrumentos mais baratos", explica Wojtek Krzak às Crónicas da Terra.

Ainda de acordo o violinista Wojtek Krzak "sempre houve muita influência da Suécia na Polónia, devido às sucessivas guerras entre ambas as partes. Há seiscentos ou setecentos anos atrás, um exército sueco ocupou parte da actual Polónia escutou a música da Masóvisia e introduziram algumas das suas danças na Suécia. É por isso que os suecos têm na Suécia a Polska [que quer dizer polaco na língua sueca]. Há uma história incrível de invernos muito rigorosos. Nessa altura, o mar Báltico encontra-se completamente gelado e as pessoas caminham através do gelo. No meio do mar Báltico foi construído um bar que recebia pessoas oriundas de ambas as margens que cantavam e tocavam. Facto que explica toda essa troca de influências".

"A White Voice é a forma mais natural de canto na Polónia oriunda das montanhas. Toda a gente consegue cantar assim, seja na montanha ou na planície. É a maneira mais fácil de cantar. E a mais popular. Tem é de ser cantado bem alto e bem projectado", explica Krzak.

"Por vezes, quando oiço Ali Farka Touré a tocar njarka, isto é, um instrumento simples de apenas uma corda, sinto-o como se fosse o Jimi Hendrix. Não é preciso adicionar mais nada ao seu instrumento, à forma como toca. Esta é a maior força da Warsaw Village Band. Tocamos instrumentos esquecidos como a Suka polaca".

Já com o terceiro disco "Uprooting" editado, os Warsaw Village Band revelam em concerto uma maturidade pouco comum - acabando por ter uma atitude própria das bandas rock, mesmo sabendo que é de campo e cultivo que tratam as músicas por eles recriadas.

Começaram por querer ser apenas uma resposta contra o conservadorismo da cultura de massas que os rodeia e que eles acreditam que poderá "levar à destruição da dignidade humana". Para isso viraram-se para as tradições do seu país e tentaram projectá-las para lá do seu país - o que conseguiram, demonstrando que existe vida para além do ciclo vicioso que representa o mundo do espectáculo hoje em dia. Voltar ao Topo

 

 

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