Águeda
Pedro Caldeira Cabral
no Mestiçal Peninsular
Valongo do Vouga
(Águeda), Sábado, dia 27 Novembro 2004, 21h30
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A programação do Mestiçal Peninsular
avança agora pela guitarra portuguesa pelas mãos de um mestre: Pedro Caldeira Cabral. O
recital está marcado para o Auditório de Valongo do Vouga (Águeda), no último sábado
de Novembro.
Pedro Caldeira Cabral apresenta no auditório da Casa do Povo, um
recital de Guitarra Portuguesa, em duo com Joaquim António Silva, à Viola (Guitarra
Clássica). O programa do concerto de 27 de Novembro, revisita a memória de um percurso
musical de cinco séculos, com alguns dos exemplos mais representativos do reportório da
Guitarra Portuguesa.
Caldeira Cabral percorrerá as memórias da Guitarra Portuguesa ao
longo dos séculos, remontando a obras de Alexandre de Aguiar (1520-1578), Frei António
da Madre de Deus (1580-1630) ou Carlos Seixas (1704-1742), entre outros. Já o último
século da história deste instrumento, será ilustrada através de repertório de um
único clã de referência: Gonçalo Paredes (c.1860-1920), Artur Paredes (1899- 1980) e
Carlos Paredes (1925-2004). Com Carlos Paredes, falecido este ano, Caldeira Cabral
partilhou composições. Uma delas, em homenagem ao génio, a Fantasia Verdes
Anos, faz mesmo parte do alinhamento deste concerto.
Pedro Caldeira Cabral terminará o recital com parte da sua obra
pessoal para Guitarra Portuguesa, expondo a sua genialidade não só como intérprete
exímio, mas também como autor de referência para Guitarra Portuguesa.
A conhecida faceta de investigador e divulgador de Pedro Caldeira
Cabral faz dele um dos maiores vultos no estudo dos cordofones portugueses e nomeadamente
da Guitarra Portuguesa. Tendo como origem directa a Cítara europeia do Renascimento, por
sua vez filiada na Cítola Medieval, a actual Guitarra Portuguesa sofreu importantes
modificações técnicas no último século, tendo no entanto conservado a afinação
peculiar das cítaras, igual número de cordas e a técnica de dedilho própria deste
género de instrumentos. É nesta época que chega a Portugal a chamada Guitarra
Inglesa, um tipo de Cítara europeia cuja estrutura interna foi modificada por
construtores ingleses e alemães, a qual é acolhida com grande entusiasmo pela nova
sociedade burguesa mercantil instalada nas cidades do Porto e de Lisboa, praticante da
chamada música de salão, constituida pelas lânguidas modinhas,
os arrastados minuetos e os picantes lunduns, como eram
qualificados na época. Esta Guitarra tem uma difusão limitada aos círculos da alta
sociedade, nunca se popularizando e acaba por desaparecer no fim do século XIX com a
revitalização da Cítara popular, causada pela associação desta com o Fado de Lisboa.
(fonte: Pedro Caldeira Cabral).
Mestiçal até final do ano
Este recital de Caldeira Cabral no Mestiçal
Peninsular acontece na sequência de uma programação que tem trazido ao público a
diversidade musical da Península Ibérica, com inúmeros concertos e actividades durante
o ano de 2004.
Mas o Mestiçal promete
ainda mais e prevê, após as várias extensões (como esta em Valongo do Vouga), o
retorno à cidade de Águeda, onde a 4 de Dezembro terá lugar um concerto especial, todo
ele dedicado às expressões de autor nas músicas da Península: nessa noite o público
ouvirá no Cine-Teatro São Pedro o grande cantautor galego Luís Pastor e também o
espectáculo Emboscadas, criação da dOrfeu estreada em 2004 e que é
apresentada em Águeda pela primeira vez, após digressão por todo o país. Mesmo após a
noite especial de 4 de Dezembro, a programação não se deterá e terá ainda momentos
muito importantes no final do ano, para um grande encerramento do Mestiçal Peninsular. A
reter.
O Mestiçal Peninsular
é um evento da iniciativa da dOrfeu, apoiada pelo Ministério da Cultura e pelo
Instituto das Artes, com uma programação de concertos, oficinas de instrumentos e outras
actividades, que percorre todo o ano de 2004, assumindo-se como temática principal do ano
cultural desta Associação. Para este recital de Pedro Caldeira Cabral, a dOrfeu
conta com a parceria da Casa do Povo de Valongo do Vouga, numa prática continuada de
colaborações que vêm tendo resultados importantes na formação de públicos e na
descentralização de actividades culturais de referência.