Castelo Branco
Mariza
O fim da digressão de "Fado Curvo"
Castelo Branco,
Teatro Avenida, dia 16 de Dezembro de 2004, 21:30h
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A mega digresão de "Fado Curvo"
chega ao fim, em Castelo Branco, no próximo dia 16 de Dezembro - pouco depois de a
fadista levar pela primeira vez esta arte portuguesa até solo russo, para três concertos
em Moscovo.
Fado curvo é um dos mais bem sucedidos discos da música
portuguesa, sobretudo além fronteiras, tendo estado na origem de uma das mais abrangentes
digressões mundiais de um artista português. Mariza é a responsável pelo maior e mais
expressivo fenómeno de popularidade no estrangeiro, com especial destaque para o mercado
norte-americano - tradicionalmente mais difícil para os músicos portugueses.
A digressão de "Fado Curvo", iniciada há mais de um
ano, chega agora ao fim com um espectáculo em Portugal, no Teatro-avenida em Castelo
Branco, no dia 16 de Dezembro. Antes disso, a Fadista passa por Macau, para dois concertos
no dia 1 e 2; e leva o fado pela primeira vez à capital russa, realizando 3 concertos em
Moscovo, nos dias 8, 11 e 12 de Dezembro - o primeiro realiza-se na Roman Catholic
Cathedral e os dois seguintes no International House of Music. Durante os meses de Haneiro
e Fevereiro, a Fadista entra em estúdio para registar o seu terceiro trabalho
discográfico.
Para "Fado Curvo" Mariza pesquisou na Poesia portuguesa e
propôs ao seu especial compositor Tiago Machado (Ó gente da minha terra de
Fado em Mim ) poemas de António Botto, Eugénio de Andrade e Florbela
Espanca. Uma vez mais, Tiago Machado participa nalgumas faixas, ao piano.
Mário Pacheco, acompanhante e compositor da diva Amália Rodrigues
contribuiu com uma música para um poema de Fernando Pessoa (Cavalo de Sombra, Cavaleiro
Monge), que constitui o hit single do CD, sob o título Cavaleiro Monge.
Mariza também escolheu uma letra de José Luís Gordo para a base
tradicional Zé Negro, que resultou no tema O Silêncio da Guitarra, e Rui
Veloso aceitou o desafio de compor para um disco de fado, com um resultado notável e
bem-humorado: Feira de Castro. Entre o Rio e a Razão, de tema
urbano e actual tem letra de Gil do Carmo e música de Fernando Araújo.
Recuperou um tema de José Afonso, na tradição da Balada de
Coimbra, Menino do Bairro Negro, bem como Vielas de Alfama de Max,
e Primavera, de David Mourão Ferreira e Pedro Rodrigues.
Fado Curvo tem produção de Carlos Maria Trindade,
profissional da música há cerca de 30 anos, que como músico e compositor integrou
grupos como O Corpo Diplomático e Heróis do Mar , com edição própria a solo e a
assinar produções discográficas há 20 anos. Desde 1994 integra o grupo Madredeus como
músico e compositor. Carlos Maria Trindade tem dois temas inéditos neste CD, O
Deserto, onde também participa ao piano, e Fado Curvo, tendo sido
retirado deste último o título genérico.
Ao todo, são 12 os temas que integram Fado Curvo, nove
dos quais inéditos, gravados com os músicos, António Neto (viola), Marino de Freitas
(baixo acústico) e Mário Pacheco (Guitarra Portuguesa). Nalguns temas, regista-se a
participação dos convidados Fernando Araújo (baixo e guitarra), Quiné (percussões),
Miguel Gonçalves (trompete e fliscórnio) e Davide Zaccaria (violoncelo).
Mariza Nasceu em Moçambique há 29 anos, mas vive em Portugal
desde os três. Mariza contactou com o Fado directamente na Mouraria, onde cresceu. As
suas primeiras impressões registam uma silhueta que cantava, transmissora de uma emoção
que os seus poucos anos não poderiam definir, mas que lhe suscitou uma vontade enorme de
experimentar. Assim, aos cinco anos aprendia letras através de autênticas bandas
desenhadas feitas pelo pai e participava já, ocasionalmente, em sessões de Fado.
Aos primeiros contactos de infância, sucedeu-se a natural
incursão noutros géneros musicais própria da ânsia de experimentação da
adolescência. Cantou Gospel, Soul e Jazz, Bossa Nova.
Na sua estadia de cinco meses no Brasil, no ano de 1996, Mariza
revisitou o prazer de cantar Fado. Impôs-se a primeira paixão e quando se apresentou no
Canadá, dois anos depois, foi já como fadista. Em 1999, a atenção do grande público
foi despertada pela sua participação nas homenagens a Amália Rodrigues, nos Coliseus de
Lisboa e Porto, transmitidas em directo pela TVI: voz, relação com o palco, magnetismo e
imagem (cabeleireiro Eduardo Beauté, e o costureiro João Rôlo) despoletaram convites
para participações em programas de televisão, com destaque para a transmissão do
espectáculo a propósito da visita do Papa João Paulo II; o programa HermanSic,
convidou-a a interpretar Povo que Lavas no Rio, na presença de Sting.
Em 2001 lançou o seu primeiro CD Fado em Mim.
Inicialmente perspectivado como uma edição privada, e produzido por Jorge Fernando,
viria a ser editado em 32 países pela editora holandesa World Connection, com
distribuição em Portugal da EMI-VC.