Atalaia - Seixal
Festa do Avante 2004
A maioria absoluta da música portuguesa
Quinta da
Atalaia, dias 3, 4 e 5 de setembro de 2004
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Actualmente a oferta de festivais é tal que quase não
há memória dos tempos em que a Festa do Avante era a mais alternativa programação de
verão em Portugal. Hoje continua a distinguir-se pela grande qualidade e pela maioria
portuguesa do cartaz.
A Festa do Avante é feita de muitas músicas e de muitos palcos, abrangendo variadas
expressões musicais, das mais populares às mais vanguardistas. Ao todo são centenas de
artistas, profissionais e amadores, que estão todos os anos envolvidos nos espectáculos
que os visitantes da Atalaia têm à sua disposição, entre os dias 3 e 5 de Setembro.
Este ano o cartaz conta, precisamente, com muitos reforços em português, a propósito
das comemorações dos 30 anos do 25 de Abril - levando inclusivamente a palco algumas
estreias, como é o caso do espectáculo "Grândolas" de Mário Laginha e
Bernardo Sassetti, consistindo em variações sobre uma parte mais popular da obra de
José Afonso.
Outros nomes vão desfilar pelos palcos da Quinta da Atalaia, com destaque para os
Gaiteiros e Lisboa, A Naifa (projecto de fusão pop e fado de João Aguardela e Luis
Varatojo) e Tim Tim por Tim Tum (quatro baterias por quatro grandes bateristas)... Isto
para citar apenas alguns projectos em quadrantes musicais muito diversos.
Para que se possa ir reservando espaço na agenda do início de Setembro, aqui ficam os
nossos destaques da programação de três dias de muitos concertos, para muitos gostos.
Aldina Duarte
Os poemas, a música que dá o ambiente da história que é cantada e o acompanhamento
instrumental, levando mais longe a intenção do fadista que molda a sua voz ao sentido
das palavras e ao improviso musical fazem a arte do fado na voz de Aldina Duarte. E se há
alma o Fado aparece. Nas palavras da fadista: «Ter a nossa vida na mão é uma
responsabilidade. Mexer com a vida dos outros é uma grande responsabilidade. Porque
acredito que o Fado, como as outras artes, pode mudar a vida das pessoas tal como mudou a
minha, desde as mais pequenas até às grandes coisas, não tinha mesmo outro remédio
senão gravar um disco e fazer um espectáculo como este: a descobrir «Apenas o Amor». O
disco foi editado no passado mês de Março.
A Naifa
A ilusão criada pela Naifa no início do seu primeiro álbum termina exactamente ao fim
do minuto e quarenta e seis segundos da introdução. Começa então outra realidade
a bem dizer paralela imagina por Luís Varatojo (Peste & Sida, Despe e
Siga, Linha da Frente) e João Aguardela (Siiados, Megafone, Linha da Frente), criada com
Maria Antónia Mendes e Vasco Vaz, que não é doutrinal nem revisionista, mas que usa
códigos comuns para explorar outras formas de inspiração a partir da raiz que é a
canção popular de Lisboa e as palavras de uma nova e activa geração de poetas. Como em
anteriores trabalhos, Luís Varatojo e João Aguardela exploram em «Canções
Subterrâneas» o território da poesia portuguesa, temperando-a com a estética musical
urbana e contemporânea característica do seu labor. Os caminhos desta procura levam A
Naifa ao encontro, por um lado, de uma nova geração de poetas, entre os quais se contam
valores estimados e conhecidos como é o caso de Adília Lopes, José Luís Peixoto ou
José Mário Silva e Tiago Gomes, mas também outros poetas que por ora despontam nas
palavras de Rui Pires Cabral, José Miguel Silva, Rui Lage, Eduardo Pitta, Ana Paula
Inácio, Carlos Luís Bessa e Nuno Moura e, por outro, a recorrer aos cânones do Fado e
do experimentalismo electrónico como matéria prima de uma visão de cultura portuguesa
que não se conforma com a colonização de modelos estrangeiros como forma de vida, e
menos ainda com a cristalização a que muitos querem forçar as chamadas músicas
tradicionais.
Betagarri (País Basco)
Nascidos há uma década na cidade de Gasteiz, no País Basco, os Betagarri iniciaram a
sua carreira no circuito alternativo do rock de de clara intervenção social e política,
tocando em bares um pouco por todo Euskal Herria e participando na construção da mítica
«Nave Pirata», local de ensaios de muitas bandas afastadas dos circuitos comerciais
dominados pelas editoras representativas do capital. Com mais de cinquenta concertos por
ano, é nos palcos que revelam toda a sua capacidade e combatividade, construindo uma
fantástica simbiose com o público.
Big Band do Município
da Nazaré
A Big Band do Município da Nazaré formou-se em Setembro de 1999, por proposta do seu
director à Câmara Municipal na seqüência de existirem no concelho três orquestras
ligeiras juvenis e uma banda e tem como objectivo dar oportunidade de continuação aos
jovens que se forem destacando nas formações até aqui existentes. Tendo como cantora
convidada a voz de Joana Rios, é composta por 5 saxofones, 4 trompetes, 4 trombones,
piano guitarra, baixo e bateria. A uidade dos componentes da Big Band oscila entre os 16 e
os 30 anos. Fez concertos em Portugal, Espanha e Alemanha destacando-se a participação
no Festival de Jazz da Alta Estremadura, Festival de Jazz de Aljustrel, Festa do Jazz no
Teatro S. Luís, nos Encontros de Jazz de Évora (com Carlos Martins como convidado), no
Hot Club de Portugal e no B-flat em Matosinhos. O lançamento do primeiro CD decorreu na
apresentação feita no 2º Festival de Big Bands realizado em Julho de 2003 na
Nazaré. É maestro da Big Band do Município da Nazaré é Arlindo Mota que iniciou a sua
actividade musical na Sociedade Filarmônica Maiorguense e estudou no Conservatório de
Música de Coimbra no Curso de flauta transversal. Actualmente exerce diversas funções,
nomeadamente maestro titular do Lusitanius Ensemble, director artístico do Festival de
Jazz de Valado dos Frades, do Festival Internacional de Big Bands na Nazaré e do
Festival de Jazz de Aljustrel.
Carla Pires
É uma jovem fadista que inicou a sua carreira em Setembro de 1993 participando na 1º
série do Programa Chuva de Estrelas. Entre 1994 e 1995 integrou o projecto Palco de
Estrelas de Paco Bandeira e gravou diversas bandas sonoras para telenovelas portuguesas:
«Roseira Brava». «Primeiro Amor»,«Ana e os Sete». Em Setembro de 1996 venceu o
concurso organizado pela Sociedade Portuguesa de Autores, tendo representado Portugal no
Festival de Salónica ( Grécia), onde obteve o primeiro lugar. Participa em 1997 nas
eliminatórias do Festival RTP da Canção. Entre Julho de 2000 e Março de 2002 integra o
elenco fixo do Musical «Amália» de Filipe La Féria, exibido durante mais de dois anos
no Teatro Politeama. Participa em 2002 como actriz e cantora desempenhando o papel de
Teresinha na novela « O olhar da serpente» de Francisco Nicholson e Felícia Cabrita,
produção da NBP para a SIC. Ainda em 2002 grava com o Quinteto Amália o CD «O fado em
concerto», com direcção musical de José Marinho. Tem mantido desde 2002 uma presença
regular como fadista do «Clube do Fado». Regressa ao musical «Amália» em Setembro de
2003 onde continuará a desempenhar o papel de «Amália jovem». Lança o seu primeiro
disco a solo e faz concertos por todo o país, Cabo Verde, Londres e Paris.
Gaiteiros de Lisboa
Instrumentistas de reconhecida virtuosidade em palco e em estúdio, os Gaiteiros de Lisboa
apresentem ainda a particular característica da constante busca de novas sonoridades e a
inovação e criatividade aplicadas à construção de instrumentos concebidos pelo
próprio grupo (tubarões, tambor de cordas, túbaros de Orpheu, orgaz, cabeça
decompressorfone, clarinete acabaçado e serafina). O som dos Gaiteiros, para além de
respeitar a tradição popular tem uma atitude experimentalista permanente: «Tudo o que
tenha um som invulgar nos interessa. Esse desafio acústico é o único purismo a que nos
mantemos fiéis», nas palavras de Carlos Guerreiro. O grupo formou-se em 1991, sendo
actualemente composto por Carlos Guerreiro, José Manuel David, José Salgueiro, Paulo
Charneca, Paulo Marinho, Pedro Casaes e Rui Vaz, músicos que têm feito o seu percurso em
torno da música popular tradicional.
Guto Pires
Natural da Guiné-Bissau, Guto Pires surgiu pela primeira vez na cena africana de Lisboa
integrado no grupo Issabary. Posteriormente participou nos projectos Sons da Lusofonia e
Sons da Fala que integraram, entre outros, o saxofonista Carlos Martins, Sérgio Godinho,
Vitorino, Filipa Pais, Tito Paris, Bana e Filipe Mukenga. Cantor multifacetado, criador de
temas sobre África e a Guiné-Bissau, Guto Pires revela nas suas canções uma particular
capacidade de observação e revelação da realidade africana e também da da comunidade
africana em Portugal.
José Eduardo
Conceição e Silva
"A Jazar no Zeca
Afonso"
com: Marc Miralta, Jesús Santandreu e Jack
Walrath
Contrabaixista, pianista, director de
orquestra e pedagogo, José Eduardo Conceição e Silva tem o curso do Conservatório
Nacional de Lisboa, variante instrumental contrabaixo, 6º ano com a classificação de 18
valores e a frequência de curso de Arquitectura da Escola Superior de Belas-Artes de
Lisboa. Em 1979 fundou e dirigiu a Escola de Jazz do Hot Club de Portugal e em 1983 foi
nomeado director pedagógico do "Taller de Músics de Barcelona", cargo que
exerce até 1990. Entre 1986 e 1991 protagoniza diversos workshops e
masterclasses encomendados pelo ACARTE (Fundação Gulbenkian), de um desses
workshops surgindo a Big Band do Hot Clube de Portugal. A partir
de 1990 dirige os seus grupos "Zé Eduardo Unit" e "Zé Eduardo &
Companhia da Música Imaginária" , também tocando e gravando com solistas como Art
Farmer, Harold Land, Steve Lacy, Kenny Wheeler Em Novembro de 2001 e integrado nas
actividades do Porto 2001, Capital Europeia da Cultura, é convidado a dirigir
a Orquestra que interpretou pela primeira vez- 10 obras inéditas encomendadas pela
Cidade Invicta a 10 prestigiados compositores nacionais. Em 2002, numa produção do Cine
Clube de Faro, edita o CD A Jazzar no Cinema Português, considerado por parte
da crítica como o melhor CD de Jazz nacional desse ano. Durante 2003 desenvolve uma
intensa actividade artística e pedagógica, tendo actuado em diversos festivais e
concertos, leccionado em Valência e Punta Umbria (Espanha). Como Presidente da
Associação Grémio das Músicas organiza em Tavira o 2º Workshop Algarve em
Jazz com a presença de sete professores norte-americanos e cerca de 90 alunos
oriundos de toda a Península. Em Novembro, à frente do seu Unit participa no
Festival de Jazz de Macau (para o qual é convidado como executante e director artístico)
e no Festival Atlantic Waves, em Londres. Sob a direcção do cineasta Pedro
Sena Nunes filma, na Meia-Praia (Lagos), o primeiro video-clip de Jazz português,
estreado em Outubro na Cinemateca Nacional. Em Setembro de 2004 lançará na Festa do
«Avante!» lançará o CD A Jazzar no Zeca Afonso para a etiqueta Clean
Feed/Trem Azul. Acompanham José Eduardo três instrumentistas de confirmada
carreira internacional na área do jazz: o baterista catalão Marc Miralta, o saxofonista
valenciano Jesús Santandreu e o trompetista norte-americano Jack Walrath
Mário Laginha e
Bernardo Sassetti
"Grândolas"
Mário Laginha e Bernardo Sassetti são dois pianistas incontornáveis do panorama musical
português actual e em particular da área do jazz. Mário Laginha é considerado um dos
músicos portugueses mais talentosos e inovadores. Pianista e compositor, foi distinguido
com vários prémios e convidado a participar em inúmeros festivais nacionais e
internacionais. Tocou e gravou com Wayne Shorter, Ralph Turner, Manu Katché, Trilok
Gurtu, Toninho Horta, Gilberto Gil, Julian Argüelles, Django Bates entre muitos outros e
também com a Hannover Philarmonic Orchestra. Gravou em quinteto o disco Hoje
um álbum que reflete fortemente o seu estilo único. Envolveu-se em variadíssimos
projectos e foi convidado a compôr para pequenos e grandes ensembles, tais como NDR Big
Band, Orquestra Metropolitana de Lisboa, Orquestra Sinfónica do Porto, Drumming Grupo de
Percussão e o Remix Emsemble. Mas, o trabalho em duo tem assumido uma importância
central na sua carreira: Maria João, com quem já partilhou 6 discos, Pedro Burmester, em
Duetos e mais recentemente com Bernardo Sassetti, num disco que surge como uma
sequência natural de uma parceria de três anos. Bernardo Sassetti tem já uma vasta
carreira nacional e internacional, a solo e integrado em, numerosas formações, onde se
destaca a sua ligação ao latin jazz. O seu último disco a solo, «Nocturnos», foi
largamente elogiado pela crítica e galardoado com diversos prémios. A Festa do
«Avante!» e a editora discográfica Guilda Música convidaram Mário Laginha e Bernardo
Sassetti para comporem e gravar uma peça sobre seis temas ligados à revolução de 25 de
Abril de 1974 e que foi editado no disco «Grândolas» em Abril deste ano por ocasião do
30º aniversário da Revolução dos Cravos e será estreado ao vivo na Festa do
«Avante!». "Grândolas" reúne composições sobre temas de José Afonso, como
é o caso de "Grândola Vila Morena", "Trás Outro Amigo Também",
"Venham Mais Cinco", "Canto Moço"; um tema de José Niza e José
Calvário: "Depois do Adeus"; e ainda "Life on the Ocean Wave", de
Henry Russel.
Mercado Negro
Cantor, músico e compositor, Messias tem deslizado através da cena musical portuguesa
durante a última década, não só como membro fundador do Kussondulola (o primeiro grupo
português de reggae, com o qual gravou três álbuns), como igualmente pela sua carreira
a solo. Com este percurso, e sendo senhor de uma distinta voz e presença, tornou-se um
dos vocalistas portugueses mais característicos e acarinhados pelos media e público em
geral. No Verão de 2003, o novo projecto de Messias os Mercado Negro, surgem
marcando presença nos principais festivais, como o Sudoeste, Paredes de Coura, Reggae
Algarve, entre muitos outros concertos. O single «Beija Flor» invadiu de imediato as
rádios portuguesas com uma significativa exposição e airplay a nível nacional. No
final de 2003 os Mercado Negro vão para estúdio e gravam o primeiro CD. Actualmente é o
single «Oh Lua» que marca presença obrigatória e assídua nas playlists portuguesas em
simultâneo com uma digressão nacional.
Mísia
Portuguesa, nascida no Porto, de pai português e mãe catalã, Mísia é oriunda de uma
família de tradição artística (a avó vedeta de music hall e a mãe bailarina),
explica-se que se dedicasse com toda a naturalidade a uma carreira nas artes,
interessando-se por tudo e abordando estilos diferentes. Depois da adolescência passou
uns tempos em Barcelona e Madrid onde viveu uma grande variedade de experiências
artísticas, para voltar então a Lisboa com uma imensa vontade de cantar o «seu» fado.
Rodeou-se de músicos, compositores, letristas e poetas para construir o seu próprio
repertório de Fado. Se Mísia respeita a ortodoxia desta arte tão porfundamente
indissociável da cultura portuguesa, ela soube também trazer-lhe uma renovação
fundamental ao introduzir novos instrumentos como o violino, o acordeão, e ainda o piano
e enriqueceu-lhe a tradição com novas referências literárias, musicando poemas de
autores de outrora ou escolhendo poemas escritos para ela por autores contemporâneos tais
como José Saramago e Vasco Graça Moura. Depois de «Garras dos Sentidos» ( em Portugal
o primeiro álbum conceptual de fado tradicional e poesia), de «Paixões Diagonais», uma
inteligente mistura de fado tradicional e contemporâneo, e de « Ritual»,
fundamentalmente ancorado na mais pura tradição fadista, «Canto», o novo álbum de
Mísia é um porjecto inédito. «Canto» é inspirado na música de Carlos Paredes,
compositor. «Canto» é o resultado do encontro entre diferentes linguagens artísticas
alimentadas pelo talento e a generosidade de poetas como Vasco Graça Moura, Sérgio
Godinho e Pedro Tamen que ofereceram poemas de uma comovente beleza.
José Barros e Navegante
Nasceu em 1992, de um projecto pessoal de José Barros, e funde-se com o currículo do seu
líder e fundador. De José Barros e Navegante se poderá dizer que nasce na sequência de
um trabalho que contou com a fundação dos grupos Bago de Milho, Romanças,
colaborações várias com outros grupos e projectos como por exemplo, Ronda dos Quatro
Caminhos, Isabel Silvestre et., tendo como elo comum a musica tradicional portuguesa. A
José Barros e Navegante juntam-se Rui Júnior, Carlos Passos, Jorge Cruz, José Martins e
Quim Correia, nomes bem conhecidos na área da música popular, clássica e jazz,
espelhando influências várias num projecto que ao longo dos seus 10 anos de existência
tem 4 discos gravados e outro a sair no final de Março. Em 1998 entram para o grupo Vasco
Sousa e João Luís Lobo, bem como Hugo Tapadas, Miguel Catalão e Miguel Tapadas,
coincidindo com a gravação do terceiro CD, formação essa que, conjuntamente com José
Barros e Carlos Passos compõe o grupo ao vivo e em gravações. A edição do 3º CD
Rimances editado pela LEmpreinte Digitale em França, com distribuição mundial, no
dia 14 de Fevereiro de 2003 marca o inicio de uma nova etapa para o grupo. Os
espectáculos apresentados em Almada e Sintra respectivamente em Setembro e Outubro de
2002, registados em novo disco saído em Novembro de 2003 com o titulo «Vivos. E ao
vivo» comemorou 10 anos de existência do grupo.
Otis Grand and his Blues
Band (Grã-Bretanha)
Além de uma banda portuguesa que se dedica igualmente aos blues, a Festa de 84 apresenta
um dos maiores expoentes europeus do género, o guitarrista Otis Grand. Detentor de
praticamente todos os prémios britânicos nesta área ao longo de anos (melhor
guitarrista, melhor banda, melhor cantor), Otis tem tocado igualmente com os grandes nomes
na Europa e nos EUA americanos dos blues: B.B. King, Luther Allison, Junior
Wells, Johny Copeland, etc. Ao conhece-lo e pela primeira tocarem juntos, aliás, B. B.
Terá desabafado: «Rapaz, tocas com a força com que eu tocava quando tinha a tua
idade!...). Otis Grand apresenta-se com a sua formação (que ganhou o ano passado o
galardão de melhor banda de blues) e que inclui vocalista, teclas, sax, trompete, baixo e
bateria.
Quadrilha
Com o novo CD «A Cor da Vontade», os Quadrilha mantêm a sua ligação nas músicas
tradicionais sem fronteiras e às causas que sempre abraçaram de defesa de valores
humanistas. Espelho da sua especial identidade é a vasta panóplia de instrumentos que
não tem cessado de se enriquecer e que junta aos instrumentos tradicionais portugueses a
darkura árabe, flautas andinas, djideridoo australiano, sopros e percussões celtas mais
a parafernália proporcionada pela electrónica. Ao vivo, a energia e a alegri já
conhecida.
Rão Kyao
«Em busca de antepassados da canção da nossa gente», diz a letra do «fado nascente»,
que Rão Kyao gravou em 2001 num disco que é uma viagem pelo território místico da
canção popular de Lisboa. Agora, três anos passados, Rão Kyao inicia com «Porto
Alto», seu novo álbum de originais, outra viagem, a viagem de um sonho inspirado pela
música de Portugal. Nos 17 discos que editou antes de «Porto Alto», Rão Kyao mostrou
que havia de comum entre músicas de linhagens tão aparentemente diferentes como a
portuguesa e a indiana, inspirou-se nos ritmos da música do Nordeste do Brasil, no Jazz,
cruzou a sua mestria com a alma do flamenco, estabeleceu uma forte ligação com o Oriente
e percorreu como poucos antes dele, os sons originais de Portugal. «Porto Alto» é
por assim dizer uma dúzia de pontos no mapa desta viagem. Para sermos
precisos, treze são os lugares, ou talvez treze estações desta forma de peregrinação
pelos sítios e pelas gentes com sonoridades que vão das Beiras às músicas ciganas, das
polifonias alentejanas às músicas de trabalho, da Andaluzia ao universo das Descobertas
de Quinhentos. Um dos mais talentosos músicos portugueses, fgura pioneira do jazz em
Portugal e da exploração da combinação com as sonoridades da guitarra portuguesaa
regressa com um novo trabalho com a sedução da sua riquíssima e diversificada
sonoridade.
TGB
Os TGB são formados por Mário Delgado, guitarra, Alexandre Frazão, bateria e Sérgio
Carolino, tuba. A edição do seu primeiro trabalho discográfico aconteceu em Abril de
2004. TGB é o nome de um trio que surgiu por indução de Alexandre Frazão, como aposta
numa formação unusual em termos instrumentais, quer pelo tipo da combinação dos mesmos
quer pelo lugar móvel que estes ocupam na pírâmide tímbrica. O som TGB move-se num
terreno próximo de formações clássicas inusitadas como: Jimmy Giuffre Trio (clarinete,
guitarra, trombone), Paul Motian Trio (saxofone, guitarra, bateria), John Zorn News
from Lulu (saxofone, guitarra, trombone) Tiny Bell Trio (trompete, guitarra,
bateria). O reportório viaja pelo próprio sketch book dos tês músicos, bem
como por compositores pragmáticos ou Picassianos (Monk, Dolphy, Powel) cujo relevo
melódico rítmico é tão abrangente, que permite as mais audiciosas inversões
instrumentais.
Tim Tim por Tim Tum
A linguagem do projecto Tim Tim por Tim Tum explora um universo de interacção e
improvisação entre os músicos, o som e o silêncio, o acústico e a estética, o
gestual e o imprevisível. O objectivo é a comunicação com o público através de sons,
ritmos ou expressões corporais, tendo em palco como base instrumental quatro baterias e
esperando que este reaja emotivamente. Quatro baterias em palco é por si só fascinante e
o universo a descobrir é tão vasto quanto a imaginação de quem as toca e de quem as
ouve. Mas não é só de baterias que vive o Tim Tim por Tim Tum, já que a filosofia
deste grupo é que qualquer corpo ou objecto que produza som pode ser usado para fazer
música. O projecto nasceu em 1996 no seio de quatro músicos multi instrumentistas, após
um workshop na Fundação Caloust Bulbenkian com Max Roach. Desde então os Tim Tim por
Tim Tum apresentaram-se por diversos palcos nacionais e internacionais.
Vitorino e Janita
Salomé Utopia
Unidos pelo sangue, reunidos pela música e pela ideia de José Afonso, Vitorino e Janita
Salomé reencontram-se neste espectáculo ao vivo com a grande festa da música e das
palavras de um dos maiores, mais apaixonados e apaixonantes nomes da música portuguesa. O
sucesso de «Utopia», um espectáculo idealizado e interpretado por estes dois dos
maiores companheiros de canções e de lutas de José Afonso tem sido extraordinário. E
porque a música e a mensagem de José Afonso nunca se esgotam, Vitorino e Janita Salomé
contribuem com este espectáculo para as comemorações dos 30 anos do 25 de Abril na
Festa do «Avante!». Vitorino marcou presença em alguns momentos chave da Música
Popular Portuguesa e foi companheiro de canções e de palco de José Afonso, Adriano
Correia de Oliveira, Fausto, Sérgio Godinho e outros nomes fundamentais da música
portuguesa nos últimos 30 anos. Estreou-se nas edições discográficas em 1975 com
«Semear salsa ao reginho», o primeiro dos 19 discos que assinou até ao momento. Também
compôs diversos temas e bandas sonoras para teatro e televisão e desenvolveu uma
carreira paralela de actor. Janita Salomé estreou-se bastante jovem em aventuras musicais
que iriam mais tarde desembocar no seu percurso musical próprio e vincado por uma forte
personalidade. Na seqüência do 25 de Abril de 74, o mestre José Afonso convida Janita
para o acompanhar em palco, proporcionando assim, não só a sua profissionalização
enquanto músico, mas também o ponto de partida para a recolha de uma bagagem musical que
nasce na música tradicional portuguesa com particular destaque para os sons do Alentejo e
se funde com a tradição musical árabe, afinal umbilicalmente ligada à nossa
tradição. Janita gravou perto de uma dezena de discos e foi distinguido com prémios
tão consagrados como o «Prémio José Afonso» com o disco «Vozes do Sul», entre
diversos outros. 