Lisboa
Mafalda Arnauth
"Ecantamento" ao vivo no S. Luiz
. . . . . . . . . . . . .
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
. . . . . . . . . .
Porto, Teatro Rivoli, dia 30 de Novembro,
21:0h
Lisboa, Teatro S. Luiz, dias 4 e 5 de Dezembro, 21:0h
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
. .Há seis meses,
Mafalda Arnauth regressou com "Encantamento", um trabalho em rota de colisão
com muitas das convenções do fado - arriscando uma linha Fado-Canção e uma estética
só possível na sua voz. Um encantamento para seguir ao vivo, logo no início de
Dezembro.
Quando em 1999 surgiu o seu primeiro disco, já Camané enchia as páginas da imprensa
especializada em nome dos novos valores de fado, numa altura em que o país se preparava
para viver o luto de Amália - concerteza o maior e mais universal ícone neste género
musical.
Depressa Mafalda Arnauth conquistou o posto feminino nesta nova categoria de artistas,
entre aqueles que se arriscaram a desafiar todas as convenções e algum conservadorismo
à volta do Fado. É preciso também lembrar que o Carlos do Carmo ou o próprio João
Braga já o tinham feito no seu tempo, o que lhes valeu algumas criticas - se bem que às
vozes masculinas sempre se "tolerou" um maior "ecletismo".
Como jovens talentos e, surpreendentemente, agarrados a um estilo musical que parecia
caído quase em desgraça - isto num país mergulhado na maior febre pimba da história
recente - muitos ficaram supreendidos com esta inversão de marcha em relação às
tradições.
Até essa altura, em portugal, quase não se conhecia o sucesso internacional que fadistas
como Cristina Branco e Mísia iám arrebatando - de resto, com carreiras totalmente
sediadas além fronteiras.
Depois de Mafalda Arnauth, foram sendo revelados outros valores, igualmente promissores.
No caso das vozes femininas, tivémos uma Kátia Guerreiro, a Mariza e agora mais
recentemente Joana Amendoeira e Ana Moura. No caso dos homens deste "novo fado",
tivémos o Helder Moutinho (atenção ao trabalho deste fadista) e mais recentemente Pedro
Moutinho (com um trabalho assumidamente mais "tradicional"); isto para citarmos
apenas alguns.
Este regresso coloca novamente Mafalada Arnauth no centro de todas
as atenções - só que numa altura em que outras fadistas, sobreturo a Mariza, ganharam
uma posição dianteira em termos de popularidade interna e além fronteiras.
Por tudo isto, a fadista fez bem em avançar com um disco cheio de
vontade de arriscar novas facetas - sabendo fazer isso da forma mais discreta: moldada em
perfeição à sua grande voz e capacidade de interpretação, escolhendo o caminho menos
óbvio e por isso mais estimulante. 