Lisboa
Carlos Zíngaro
Senso Improvisado
Lisboa, Institut Franco-Portugais, 14 e
15 de Novembro de 2003, 21:30h
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. ."Senso"
é um espectáculo de Violino e electrónica, em tons de improvisação e da diversidade
plástica do computador - na interacção entre as imagens e a música. Um espectáculo
que rompe com todos os conceitos, ao vivo em Lisboa, nos dias 14 e 15 de Novembro.
Senso é um falso concerto e um falso solo de Carlos
"Zingaro". Falso concerto porque está muito mais em jogo do que a música,
ainda que esta seja o núcleo de tudo o que acontece. Para além do trabalho que
Zingaro desenvolve com o violino e com a electrónica (computador), desenhos
seus são projectados e manipulados ao vivo em vídeo, buscando-se formas de interacção
entre as imagens e a música - notas, sequências e fraseados musicais determinam
movimentos, velocidades e ordens dos referidos desenhos e de intermitentes captações em
tempo real de acções que ocorram no palco, surgindo numa série de painéis
(scrims) para projecção e encobrimento, que permitem confundir o que é real
/ físico com o que é apenas projecção do real. Falso solo, também, porque, embora
todos os desenvolvimentos deste espectáculo tenham em Carlos ´Zingaro a sua
origem, outros intervenientes participam.
As imagens projectadas fragmentam-se e multiplicam-se, ganhando uma
presença e uma importância que equivalem à própria música e acabam por influenciar
esta. O propósito é mesmo que, num espaço fechado como o de um auditório, outra
realidade se sobreponha à delimitação imposta pela arquitectura, uma realidade virtual
que se passa apenas ao nível da sugestão e da auto-sugestão. O trompe
loeil e o trompe loreille são as estratégias adoptadas,
despertando memórias e imaginações. A ideia de clausura, de claustrofobia, e o seu
inverso, a noção de que nada, na verdade, nos pode encerrar, estão
constantemente em processo. Em causa igualmente a relação do(s) corpo(s) com o(s)
instrumento(s)-prótese(s) e com a tecnologia, vistos como extensão da fisicalidade, mas
também como o seu ultrapassamento, algo que já está mais além da condição humana.
Carlos Zingaro é uma das mais importantes figuras da
cena internacional da música improvisada, tendo tocado e gravado desde a década de 70
com nomes fundamentais como Richard Teitelbaum, Joelle Léandre, Daunik Lazro, Paul
Lovens, Hans Reichel, Roger Turner, Rudiger Carl, Peter Kowald, Derek Bailey, Evan Parker,
Leo Smith, Tom Cora, Otomo Yoshihide, Gunter Muller, Keith Rowe, Thomas Lehn e muitos
outros, sendo também um prestigiado compositor de música de cena, tendo trabalhado com
criadores como Ricardo Pais, Carlos Avillez, Giorgio Barberio Corsetti, Olga Roriz, Paula
Massano, Fernanda Lapa, Margarida Bettencourt, Antonino Solmer, Vera Mantero ou Francisco
Camacho. Tem mais de 30 discos publicados por editoras dos mais diversos países e actuou
em quase todos os continentes e nos mais importantes festivais do mundo dedicados às
músicas criativas. Artista plástico conceituado e cenógrafo, para além de músico, a
sua actividade como autor de banda desenhada ganhou especial relevo em Portugal.
O músico electrónico e videasta Paulo Raposo tem formação em
filosofia e cinema e foi o fundador dos projectos Vitriol e (des)integração, formações
centradas na música por computador, sendo também o principal responsável da editora
discográfica sirr, que em dois anos de existência conquistou grande prestígio em termos
internacionais. Carlos Santos, também ele dedicado, em simultâneo, às artes visuais e
sonoras, é o segundo elemento do duo Vitriol e um dos integrantes do colectivo
(des)integração. Emídio Buchinho é músico igualmente e tem-se notabilizado como
desenhador de som no cinema português. Clemente Cuba é, por sua vez, um dos mais
respeitados desenhadores de luz do teatro e da dança nacionais, desempenhando funções
de responsabilidade na Fundação Calouste Gulbenkian. Da equipa de SENSO faz ainda parte
o crítico de música e ensaísta Rui Eduardo Paes, a quem cabe a elaboração de uma
novela gráfica, em conjunto com Carlos Zingaro, que funcionará como um
complemento do espectáculo em forma de livro, a publicar pela Hugin Editores.
Com Carlos "Zingaro" na concepção, produção,
grafismos, violino, sistema interactivo, computador; Paulo Raposo no vídeo interactivo e
computador; Carlos Santos no sistema interactivo e computador; Clemente Cuba no desenho de
luz; Emídio Buchinho no desenho de som e ainda Rui Eduardo Paes nos textos e na
assistência de produção. 