Lisboa
A arte dos instrumetos musicais na Idade
Média
Ver e ouvir de perto, com Pedro Caldeira Cabral
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Lisboa, Biblioteca-Museu
República Resistência
Sextas-Feiras, dias 21 e 28 de Fevereiro de
2003 e dias 7 e 15 de Março de 2003, às 18:30h
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. . . . . .Pedro
Caldeira Cabral leva até ao auditório da Biblioteca-Museu República Resistência, em
Lisboa, a Arte dos instrumentos musicais na idade média. Um concerto comentado, no qual
desfilam perto de 30 instrumentos e 18 peças musicais.
Com este espectáculo pretende-se dar a conhecer a riqueza
instrumental dum período que geralmente associa as formas mais estáticas da música
religiosa que excluíam o uso de instrumentos musicais, ilustrando de forma viva o uso dos
mesmos nas práticas musicais seculares.
Os instrumentos musicais ocupam um lugar importante na redescoberta
e reconstituição actual da Música da Idade Média (Séculos XII a XV).
Até um período recente, os musicólogos dispunham apenas de
informação escassa sobre os instrumentos, o seu repertório e a função da música
secular. Actualmente, podemos formar uma imagem muito mais nítida da realidade
histórica, sobretudo no que diz respeito aos instrumentos musicais utilizados no espaço
cultural galaico-português no período trovadoresco.
Os instrumentos musicais são hoje considerados e estudados como
objectos de Arte em si mesmos, e não apenas como veículos de outra arte: a Música.
Assim, podemos hoje reflectir sobre as relações entre as Artes Liberais e os
instrumentos, bem como a sua simbólica ou o reflexo das mentalidades em certas técnicas
com implicações musicais.
A importância dos isntrumentos musicais neste período é-nos
transmitida por numerosos testemunhos literários e iconográficos. Começando pelo Codice
Calixtino (Séc. XII), que nos descreve numerosos instrumentos musicais usados pelos
peregrinos que se dirigiam a Santiago de Compostela e nos fornece também textos musicais,
e terminando com o extenso poema do Arcipreste de Hita no Livro de Buen Amor (Séc. XIV),
encontramos uma completíssima nomeclatura organológica do período medieval.
O complemento iconográfico é essencial para a reconstituição
moderna, sendo este fornecido pelas esculturas dos pórticos das catedrais de Santiago e
Orense (séculos XI e XII) ou o menos conhecido portal da igreja de San Martin de Noya,
Galiza (séc. XV), ou em Portugal os casos do pórtico do Mosteiro de Santa Maria da
Vitória, Batalha, ou da igreja de Nossa Senhora da Oliveira, em Guimarães, ambos do
Séc. XV. Temos também as iluminuras do Códice do Escorial das Cantigas de Santa Maria
ou as do nosso Cancioneiro da Ajuda (séculos XIII e XIV).
Adaptação de um texto de Pedro
Caldeira Cabral 