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Festival Ethnicu

 

 

 

Covilhã
Festival Ethnicu 2003
Alternativas tradicionais na Covilhã

Covilhã, de 4 a 12 de Abril de 2003
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Como já vem sendo hábito, o festival Ethnicu oferece uma grande quantidade actividades na área das tradições, englobando a exibição de documentários, exposições e, claro, música de raiz tradicional. É o regresso das alternativas tradicionais à cidade da Covilhã.

O Festival Ethnicu - Festival Internacional de Música Étnica é organizado pela Associação Académica da Universidade da Beira Interior, que este ano se realiza entre os dias 4 e 12 de Abril. Fique aqui com os nossos destaques do programa musical.

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Dia 4 de Abril, 21:30h
Chamamento de Américo Rodrigues
Convento de Sto. António (Reitoria da UBI)
Américo Rodrigues aprendeu a “chamar o gado” com os pastores Zé Camilo (ovelhas, de Fernão Joanes) e com Jacinto Mendes (cabras, do Feital), dois homens de sensibilidades diferentes e atitudes desiguais em relação ao gado e à vida. Antes, Américo Rodrigues, pastor sem rebanho, tinha ouvido os aboios recolhidos por Michel Giacometti e, mais tarde, no Nordeste do Brasil, escutou com emoção os aboiadores do Ceará. Aprendidas as técnicas, ouvidas as histórias e as estórias criou a sua própria “gramática” de chamar o gado (cabras, ovelhas, vacas e, até, galinhas e lobisomens!!!), inventando novas formas baseadas, no entanto, num passado ancestral: gritos viscerais, melodias vadias, palavrões, assobios, rilha-dentes, malabarismos linguísticos (com a língua, claro.) e salivadas. Criou, também, novas lengalengas e poemas sobre a água, sobre o vento e sobre o eco. Aprendeu contos que terminam mal, tentou deitar um mau-olhado a um bicho sem nome e entoou canções de embalar diabos. De um pé de abóbora fez um trombeta, da planta “umbigo de vénus” um “silvador”, da campânula de uma papoila um ressoador, de um cântaro um ecoador , de uma campainha uma sirene, de um cajado a própria respiração.
Chamamento... espectáculo de poesia, música, gritos, contos populares, estórias da transumância, assobios para o ar. Com a cumplicidade de Artur Fernandes (concertina), Bit Ócas (percussão), do pastor Zé Camilo e da cantadeira popular Júlia Fonseca. O imaginário popular revelado por artes poéticas, melodias nostálgicas e danças invisíveis. Chama-se o gado, revisita-se a memória, volta-se a chamar o gado.
Concepção do espectáculo e Voz: Américo Rodrigues | Concertina: Artur Fernandes | Bateria e percussão: Bit Ócas | Pastor: Zé Camilo | Cantadeira Popular: Júlia Fonseca

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Dia 5 de Abril, 21:30h
Megafone de João Aguardela
Auditório do Teatro das Beiras
E se a tradição musical portuguesa se tivesse desenvolvido naturalmente sem interrupções e sem preconceitos? E se em simultâneo à nossa abertura ao que nos chegava de fora, mantivéssemos o interesse no que éramos por dentro? Como obviamente não foi o que aconteceu, resta-nos pegar nos fragmentos do que fomos e tentar imaginar como seríamos em diferentes circunstâncias. É por estes motivos que este é um espectáculo de ficção científica, uma projecção de uma das possíveis dimensões paralelas àquela que hoje conhecemos. É certo que grande parte disto é conversa promocional... e no entanto... lá no fundo...

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Dia 8 de Abril, 21:30h
Campânula Hermini
Os Campânula Hermini são um grupo de percussão constituído por quatro músicos das diversas áreas que, em 2001, surgiram para a apresentação ao vivo de um tema realizado por Marcos Cavaleiro, com Campainhas Tradicionais de Maçainhas. Este tema surgiu a pedido da Câmara Municipal da Guarda para a exposição “A Memória da Coisas” e, posteriormente, foi apresentado no festival “Ontem e Amanhã”, realizado em Maçainhas (Guarda). O resultado da sua música é uma fusão, onde os sons tradicionais se combinam com os ritmos e sonoridades modernas. Actualmente encontram-se a divulgar este projecto, tendo já actuado no Festival da Transumância, na Igreja de S. Francisco, no Fundão e no Auditório “Paço da Cultura”, na Guarda.
Marcos Cavaleiro: Percussão | Eduardo Martins: Percussão | Jorge Queijo: Percussão | Pedro Lucas: Multi - Instrumentista

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Dia 8 de Abril, 21:30h
O Mistério das Vozes Vulgares                   
As formas musicais formatadas são o pleonasmo da fixação e delimitação da tradição, vantajoso para a conservação rumo ao futuro mas inoperante na descoberta autenticidade do presente musical, porque o sincronismo entre o indivíduo, o grupo e o mundo só e possível através do despojamento da pretensão de eternizar cada instante porque a metamorfose é a única constante eterna. Quantas vezes um grupo espontâneo de pessoas que se juntam por acaso para experimentar o acaso musical, fiel a si mesmo, se apresenta fiel ao mais ancestral do ser humano, a saber, a sua propensão para inovar. Sem meta fixa, dar voz à própria voz e aos objectos encontrados num caminho pela realidade experimental é encontrar a metafísica da música, o ”tao” sonoro. Viver o presente sonoro é talvez a forma sem forma de vivenciar o desabafo e a emanação do ser comunicante.
Bit Ócas | Xiko Bandinha | Guilhas | Guilheu

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Dia 10 de Abril, 21:30h
VIOLInoACORDEÃO
Museu de Lanifícios | Universidade da Beira Interior | Covilhã

João Pedro Cunha Natural do Porto, passou a residir em Lagos em 1984. Fez os seus estudos de violino e formação musical em Portugal com seu pai, João Miguel Cunha, entre 1983/90, diplomado-se pelo Conservatório de Música do Porto. A crítica e personalidades de destaque do meio musical têm-no apontado como um dos concertistas de topo da nova geração no panorama musical português. Leccionando no Algarve a partir de 1995, reside de novo em Manchester desde Setembro de 2000 onde, no RNCM, concluiu a sua pós graduação em 2001, na classe do Professor israelita Yossi Zivoni. De momento ultima os trabalhos para a obtenção do mestrado (Master Degree) frequentando também com Zivoni a classe de virtuosidade em violino (Profissional Performer). Na sua estadia no Reino Unido, J. P. Cunha tem sido sempre bolseiro do Ministério da Cultura. Esta última Bolsa foi-lhe atribuída após rigoroso concurso nacional, no qual obteve a primeira classificação entre vinte e cinco candidatos finalistas.

Gonçalo Pescada Natural de Faro, iniciou os estudos de acordeão com 7 anos, tendo ingressado com 11 no curso oficial de acordeão no Instituto Vitorino Matono de Lisboa, na classe do Professor José António Anselmo de Sousa, onde viria a obter o seu diploma. Posteriormente trabalhou com os Professores Peter Soave, V. Semyonov, Friedrich Lips e Vladimir Zubitsky. Obteve as melhores classificações em vários concursos nacionais e internacionais. A sua técnica prodigiosa, aliada a uma fina musicalidade, fazem deste jovem intérprete um dos melhores instrumentistas do acordeão da actualidade. A comprová-lo aí está o seu recente CD “Intuição”, no qual aborda desde Bach ou Sscarlatti até Albeniz ou Piazzolla. A crítica recebeu esta gravação com entusiasmo. Gonçalo Pescada tem actuado dezenas de vezes, a solo ou integrando agrupamentos de câmara, destacando-se o grupo “Vá de Viró” com o qual relizou o CD “Outras Músicas”.

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Dia 11 de Abril, 21:30h
Diálogos a Solo de Fernando Mota
Sonoplástica
(Cancelado)
Auditório do Teatro das Beiras

Em "Diálogos a Solo" apresento-me em palco acompanhado apenas por uma colecção de instrumentos que vão desde a Viola Amarantina (ou Viola de Dois Corações) e a Viola Beiroa a objectos criados a partir de materiais reutilizados, como o Molokoto ou o Bompetiscofone. A minha música passa inevitavelmente pelo cruzamento de sonoridades do universo tradicional português com as de outras culturas (árabes, orientais ou africanas) ou com a música ocidental dita erudita (antiga ou contemporânea). A experimentação sonora e plástica tem sido sempre a razão de ser da Sonoplástica, construindo objectos sonoros ou instrumentos musicais experimentais que possibilitem a criação de sonoridades oníricas, pretextos para jogos cénicos ou contrapontos para os instrumentos tradicionais. Explorando as possibilidades orquestrais de cada instrumento, em "Diálogos a Solo" é criado um universo sonoro onde o som "musical" e as sugestões sonoplásticas se cruzam para criarem um espaço de convergência... ética, estética ou lúdica...
Direcção Artística, Construção de Instrumentos e Interpretação: Fernando Mota | Montagem: Fernando Mota e Francisco Morais

Tucanas
Auditório do Teatro das Beiras

As Tucanas são um grupo de 5 elementos femininos, todas portuguesas, que apostaram os seus argumentos criativos no uso exclusivo de percussão e voz. Este colectivo aposta nas sonoridades acústicas e com isso apresentam um espectáculo musical muito peculiar e rico visualmente. As Tucanas são elas próprias as compositoras e autoras dos seus próprios temas, interpretandos à custa de bidons, baterias, cabaças, surdos, djembés, dumbas, e também o próprio corpo. Afinal, tudo surgiu à custa de um trabalho de pesquisa rigoroso. De resto, e de acordo com o comunicado de imprensa, As Tucanas afirmam-se agora totalmente prontas para chegar aos olhos e aos ouvidos do grande público.

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Dia 12 de Abril, 21:00h
Grupo de Bombos +
Lelia Doura – Gaitas da Galaecia

Jardim Público da Covilhã
Em Abril de 1999, a Lelia Doura – Gaitas da Gallaecia apresentava no Teatro Rivoli (Porto) uma exposição subordinada ao tema “A Gaita e o seu Ambiente” constituída por fotografias, gravuras, desenhos, notas explicativas, gaitas e outros instrumentos musicais e de percussão, ponteiros, palhetas, bordões, etc. O evento, enquadrado numa soma de actividades anteriores, foi outra maneira da Lelia Doura vir à luz, de se dirigir ao público e de ganhar novas amizades. De facto, não faltou quem apoiasse entusiasticamente a iniciativa de fundarmos uma associação cultural dedicada ao estudo, divulgação e dignificação da Gaita de Foles. Como não se lhe prestou a atenção devida, a Gaita ficou reduzida à condição de instrumento rural ou pastoril e assim tem sido até agora. Houve quem lhe dedicasse algum tempo, mas não o suficiente para a elevar à categoria que merece, que é o que o grupo pretende. Espera-se que com os estudos e a dedicação que estamos decididos a prestar-lhe, seja acolhida nos meios culturais e musicais com a simpatia e o carinho que lhe são devidos e que seja encarada, não como um adorno ou como uma curiosidade, mas como um instrumento que, só ou acompanhado de outros instrumentos, é capaz de oferecer belíssimos concertos e recitais.

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põePLAY
Juntemos 3 “músicó-dj’s”, imaginação, criatividade, e cd’s q.b., para provocar uma verdadeira mistura de sons, tradições e ambiências e por fim aplicá-las nos mais variados tipos de eventos. põePlay é um projecto que surge um pouco da necessidade dos 3 músicos em fazer criação sobre e com o que já está editado. É mais um dos exemplos em que se faz arte sobre arte. Sendo um espectáculo que requer muita sensibilidade é por isso também sempre muito único. Cada noite é uma noite, cada música é uma música e pode ser cruzada com inúmeras outras. Este tipo de formato permite a criação de momentos ou espectáculos temáticos como, por ex. de jazz, música portuguesa, salsa, de música tradicional, europeia, rumba, erudita, marcha, folk, world, afro ou outras mais recentes, como o pop, rock ou o techno - complementando ainda com a improvisação vocal e sonora de cangalhos instrumentais e outros artefactos instalados. Com este formato inédito facilmente se consegue colocar o Canto Alentejano à desgarrada com as Vozes Búlgaras, com um solo de B.B. King no meio e o acompanhamento de, por exemplo, Ravi Shankar ou Paul McCartney, quem sabe! Verdadeiro malabarismo musical.
Bit Ocas – impro põe dj | Paulo Brites – dj impro põe | Xiko Bandinha – põe impro dj Voltar ao Topo

 

 

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