Lisboa e Porto
Susana Baca
Grande voz para as raízes peruanas
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Lisboa (Aula Magna), dia 25 de Outubro
de 2002 e Porto (Teatro Sá da Bandeira), dia 26 de Outubro de 2002
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. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Uma das maiores intérpretes peruanas irá
visitar o nosso país para dois concertos, que vão ser, certamente, memoráveis. Susana
Baca é a voz que irá trazer aos palcos de Lisboa e Porto uma visão musical
especialmente inspirada nas raízes populares do Peru.
Recuperar o passado, reinventando-o é o mote que dita a vida e o
trabalho de Susana Baca. De influências marcadamente afro e sul-americanas, esta peruana
nascida em Chorrilhos (bairro piscatório nos arredores de Lima, habitado quase
exclusivamente por afro-peruanos), cresceu rodeada pela música e cedo se destacou dos
restantes, não só pelo facto de dançar e cantar folk mas sobretudo pelo seu ávido e
crescente interesse pela cultura do seu país que mais tarde se consolidou com a abertura
(em conjunto com o seu marido) do Instituto Negro Continuo, fundação para a
exploração, expressão, criação e preservação da cultura peruana.
A cantora dedicou através de muito estudo e documentação
- e dedica o trabalho de uma vida a uma causa cujo objectivo é recuperar a música, a
cultura do seu povo, valorizando a herança africana, uma cultura que, segundo Susana
Baca, contribuiu para a formação de uma nação.
E este crescimento, que também é artístico, reflecte-se
essencialmente nos seu três últimos álbuns - Susana Baca (1997) e Eco
de Sombras (2000) -, editados pela Luaka Bop (editora de David Byrne), e que
combinam a música afro-peruana com sons mais contemporâneos, sendo que, em
Espiritu Vivu (o último da cantora e sobre o qual deverão incidir os
espectáculos), conta com a participação de dois magos do jazz: Marc Ribot
(guitarrista que já tocou com artistas tão conceituados como Marianne Faithfull, Tom
Waits, Arto Lindsay e John Zorn, entre muitos outros) e o excêntrico John Medeski (multi
instrumentista, compositor, produtor).
Para além da participação nos dois últimos álbuns da cantora
protagonizada por Ribot e Medeski, os músicos irão acompanhar a cantora e a sua banda
nos espectáculos que esta irá realizar em Portugal. A química existente entre estes e a
cantora, tornam o talento de Susana e a mestria e intuição musical destes
norte-americanos numa sinergia perfeita.
O repertório que Susana Baca traz a Portugal é composto por
canções novas e antigas, onde o tradicional e o contemporâneo se (con)fundem, dando
origem a composições que evocam uma míriade de sentimentos, numa fusão de ritmos,
melodias e poesia. E é nesta diversidade que reside o talento da artista e que torna o
seu trabalho singular.
De salientar ainda que, para além dos originais, Espiritu
Vivo (produzido por Craig Street - Cassandra Wilson, Meshell NdegéOcello e
K.D. Lang) contém três brilhantes, e muito próprias, interpretações (versões) dos
temas 13 de Mayo de Caetano Veloso, Anchor Song da islandesa
Björk e Afro Blue do cubano Mongo Santamaria.
Mas a curiosidade ainda maior de Espiritu Vivo reside
no facto deste ter sido gravado em Manhattan (Nova Iorque, E.U.A.), na semana trágica do
11 de Setembro, em circunstâncias extraordinárias, e com uma audiência ao vivo que
proporcionou um feed-back emocional decisivo para os ambientes captados no disco. 