Lisboa
Fou-Naná
Morabeza, música e coreografia
Lisboa, Teatro Maria Matos, dias 12 e 13 de Julho 2002
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .Fou-Naná é um espectáculo inspirado no quotidiano e na Morabeza
caboverdiana - a palavra que traduz a cordialidade e a hospitalidade. Uma homenagem ao
ilustre escritor e humanista caboverdiano, Nhô Roque, para ver em Lisboa, nos dias 12 e
13 de Julho.
Um jogo constante entre a música e a dança, entre a luz e a
sombra. Gradualmente descobrindo gentes e ambientes, é também ele, um conflito
permanente entre a contenção e a explosão de energia, onde o corpo liberto, ganha a
dimensão e a proporção do sonho fictício desses camponeses, rebeldes e teimosos, que
não se cansam de lutar contra a seca persistente - guerra secular, onde cada gesto guarda
segredos que só o acordeão e o ferrinho são capazes de desvendar.
Este espectáculo tem a direcção e a coreografia a cargo de
António Tavares, contando com a participação dos Bailarinos Adilson Lima, António
Tavares e Célia Alturas. A música está a cargo de Artur Fernades, que conta com Julinho
da Concertina como convidado. A cenografia é de Aulill e os figurinos de Daniela Roxo.
Funaná é um género de música e dança de Cabo Verde, que tem
como principais instrumentos o acordeão e o ferrinho. Foi a partir desse conceito que
nasceu o título da peça de dança contemporânea que aqui se apresenta. É uma
expressão recriada pelo grupo e que se pode traduzir em Virgem Louca; Mulher-ilhéu,
norte da rosa dos ventos. Mulher da bicha da água (Fila que se forma para a aquisição
de água), rabidanta da vida - uma Vendedora ambulante.
Fou-Naná, é um espectáculo íntimo, destinado a um público
variado. Na sua versão integral tem a duração de 50 minutos. Os objectos cénicos são
baseados nas condições materiais existentes nas ilhas de Cabo Verde. Esses materiais,
praticamente reciclados (bidões, latas, sacos de plástico) têm a chancela do artista
plástico cabo-verdiano Aulill. A paisagem seca, o mar e as montanhas nuas, a jogar com os
tons quentes dos momentos em causa, foram as linhas escolhidas por Daniela Roxo para
conceber os figurinos.
A música é toda ela acústica, produzida ou extraída a partir do
instrumento em destaque - a concertina e seu acompanhante (o ritmo é produzido pelo
esfregar de uma faca numa barra de ferro, também denominado ferrinho).
Para além dessa interpretação, toda a peça é envolvida numa
musicalidade própria, onde os bidões se transformam em instrumentos de percussão e os
textos são emaranhados de sons e onomatopeias, de falares e dialectos. De um Português
arcaico, ainda hoje usual em Cabo Verde. 