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Crónica
Gaiteiros de Lisboa:
Novos rumos para uma história antiga

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Próximos espectáculos em Maio: Dia 05 - Castelo Branco | Dia 30 - Santiafo de Compostela (Galiza)
Dia 31 - Lugo (Galiza)
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Muito já se disse sobre os Gaiteiros de Lisboa, responsáveis por materializar as ideias que nos anos 90 fizeram ressurgir a música de raiz tradicional portuguesa com uma abordagem totalmente nova e inesperada. Imprimiram-lhe personalidade, humor e sobretudo imaginação.

Na já longa vida dos Gaiteiros, podemos contar com (apenas) três registos discográficos: "Invasões Bárbaras" de 1995, "Bocas do Inferno" de 1997 e o recente registo ao vivo "Dança Chamas", gravado no ano passado no Pequeno Auditório do CCB.

O primeiro disco contou com a colaboração de José Mario Branco, antigo companheiro de José Afonso e também autor de muitas das peças sonoras que revolucionaram a música portuguesa assente na palavra de ferro.

Este álbum foi também marcado pela inclusão de um tema de Sérgio Godinho, ao lado de vários temas recolhidos por Ernesto Veiga de Oliveira - e que faziam parte das muitas ideias que ficaram por materializar no tempo do Grupo de Acção Cultural (GAC) - de onde vieram parte das experiências dos mentores deste grupo ímpar.

A este álbum, seguiu-se então "Bocas do Inferno", que teve de cumprir a difícil tarefa de surpreender ainda mais, depois do primeiro álbum ter sido uma pedrada no charco do panorama musical de raiz tradicional.

Nessa altura viviam-se dois fenómenos curiosos: a Brigada Victor Jara amadurecia o seu estilo próprio, hoje copiado por muitos grupos que se iniciam nestas andanças; outros grupos, com iguais responsabilidades, aproximavam-se mais da sonoridade "Irlandizada", ou se preferirem "celta".

Os gaiteiros de Lisboa, feito por senhores já com alguma idade e responsabilidade nos ombros, preferiram explorar outras possíveis sinergias com a música portuguesa e fizeram-no novamente de forma supreendente: ninguém escapa ileso ao tema inspirado na presença portuguesa em Macau, nem tão pouco às incursões corsas que o álbum explora, ao lado de muito cante altentejano.

Mas os Gaiteiros foram sempre alvo de uma crítica recorrente, que ainda hoje não se livram dela sem dar explicações: porquê "gaiteiros" se grande parte dos temas vivem à custa das vozes, das percursões e de alguns instrumentos estranhos inventados pelo grupo?

A resposta, ao que parece, explica tudo: Os Gaiteiros de Lisboa são, sobretudo, gaiteiros - não por tocarem Gaita de Foles (o que também fazem) - mas porque vivem um pouco os vários sentidos dessa palavra: a gaita é vista como tudo aquilo que as suas "gaitas" são, andam à procura do SOM, reinventando sanfonas, buscando harmonias até aqui desconhecidas nas suas gargantas, retesando peles, procurando percutir o que outros pisam, desafinando gaitas de foles, mas afinando tubos de electricidade... Isso explica quase tudo!

Depois deste disco, o grupo atinge um elevado reconhecimento pelo público e pela crítica, tendo inclusivamente viajado para além das fronteiras portuguesas mais do que talvez imaginassem. No Brasil, os Gaiteiros surpreenderam-se com o espanto dos brasileiros, ao descobrirem que afinal tinham sido enganados pelo Roberto Leal e o seu "folclore português" durante mais trinta anos...

Surge então em 2000, o disco "Dança Chamas", que de acordo com uma entrevista dos gaiteiros de Lisboa ao jornal Expresso, foi um disco para garantir (entre outras coisas) que se fale dos Gaiteiros de Lisboa de vez em quando... Claro que este CD não foi feito "só" para isso, até porque um registo ao vivo representa sempre um importante marco na vida de um grupo.

"Dança Chamas" eterniza, de certa forma, muito do ambiente de folia, que foi progressivamente conquistando cada vez mais público, ao ponto destes Gaiteiros arrastarem multidões inéditas em Portugal para os seus concertos.

Chega então a altura do público - que acompanha os Gaiteiros de Lisboa há mais de seis anos -, exigir uma sequela de Inéditos! Já é tempo para a edição de um novo CD, com as mesmas capacidades de supreender dos anteriores. Tarefa difícil, mas certamente possível pela mão destes destemidos bárbaros da Música portuguesa. Voltar ao Topo
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