Lisboa
Danças da Indonésia
ao vivo no CCB
CCB, Pequeno Auditório, dia 28
Fevereiro de 2002, às 21:30h
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Texto realizado a partir de um Artigo de Ana Vitória, do Jornal de
NotíciasA Companhia Mekar
Swari, do Bali, vai estar entre nós para um espectáculo único no CCB, no dia 28 de
Fevereiro. Ao todo, irão ser apresentadas cinco danças tradicionais - que só agora
podem ser apresentadas no nosso país.
Este espáctáculo surge a partir de uma organização conjunta da Fundação
Oriente e da embaixada da República da Indonésia em Portugal, trazendo um espectáculo
inédito entre nós.
A companhia Mekar Swari fundada em 1998 é especialista nos estilos baris e
lelong - as mais representativas e expressivas danças do Bali - sendo constituída por
três bailarinas e um bailarino.
As cinco danças tradicionais a apresentar em Portugal são conhecidas como
"Dança de boas-vindas", "Dança guerreira", "Dança da ave
cendrawasih", "Dança de máscara do velho homem" e "Dança tari
legong".
A primeira, a dança "Panyembrama", é provavelmente uma das danças
sociais mais populares do Bali. Em conformidade com o seu título em balinês, é
frequentemente encenada para receber convidados de honra que se encontrem de visita a esta
ilha dos deuses. Três, quatro ou oito raparigas carregando um bokor - uma taça de prata
ou de alumínio de detalhada ornamentação e repleta de flores - dançam expressivamente
ao som da vibrante música gamelan. Durante a dança, espalham-se as flores pelos
convidados ou pelo público em sinal de boas-vindas.
A "dança guerreira" simboliza o carácter heróico e cortês de um
jovem guerreiro. O dinamismo e energia do dançarino expressa-se em profundo deleite e em
energia, sob a forma de movimento abstracto. O traje colorido, composto por várias
camadas que vão sendo sucessivamente adicionadas, acompanhadas pelo ritmo
"accinato" da orquestra de "gamelan", recria a imagem de um guerreiro
que se prepara para combater.
A "Dança da ave cendrawasih", um pássaro exótico da Indonésia que
possui uma belíssima plumagem matizada com as cores do arco-íris, tem como tema a
sedução do pássaro durante a estação de acasalamento. A dança é desempenhada por
bailarinas cujos movimentos são
energéticos, graciosos e, por vezes, vigorosos.
A "Dança de máscara do velho homem" é uma das muitas danças
balinesas que representam uma personagem agressiva, dinâmica, mas igualmente cómica.
Nesta, pretende representar-se a essência do carácter humano, em constante mutação,
podendo ser ora injurioso, ora divertido, revelando sempre o seu dinamismo enquanto
entidade.
Finalmente, "Tari legong", que encerra o programa, é um bailado
clássico interpretado por três raparigas e representa o amor de Rangkesari, uma jovem
princesa, e de Raden Panji. Prabu Lasem, um outro membro da família real que persegue
também o amor de Rangkesari, parte para combater Raden no campo de batalha. Pelo caminho,
Prabu depara-se com um corvo que cospe sangue, um presságio que este decide ignorar,
acabando por morrer no combate.
A dança na História da Indonésia
A história da Indonésia inclui um apreciável prelúdio numa sucessão de períodos
pré-históricos que inclui o Paleolítico, o Mesolítico, o Neolítico e as Idades do
Bronze e do Ferro. Ainda hoje se podem discernir vestígios de actividades de cada um
destes períodos em algumas das danças regionais da Indonésia, contendo estas
referências à caça,à procura de alimentos, ao cultivo da terra e à cultura do
trabalho dos metais.
Foi durante uma destas formas de organização social pré-histórica que
influências estrangeiras fizeram a sua incursão, primeiro chegadas da Índia, depois do
mundo islâmico e, finalmente, da Europa. Cada uma delas trouxe o seu contributo para o
desenvolvimento das artes performativas na Indonésia.
A influência cultural indiana encorajou o desenvolvimento na estética da
dança e das artes dramáticas; a influência cultural islâmica introduziu a ideia das
danças em linha e em coluna e os conjuntos de percussão. Por fim, os europeus trouxeram
o teatro moderno, ou teatro austero, o qual não incorpora música ou dança.
No contexto da cultura indonésia, a dança é um exemplo de uma forma de
expressão em que a herança cultural indígena é preservada sem que isso implique a
negação de influências estrangeiras. Esta é efectivamente uma situação ideal, em que
a criatividade prosperadentro do contexto da tradição.
Texto realizado a partir de um Artigo de
Ana Vitória, do Jornal de
Notícias